Lobesia botrana
A traça-da-uva (Lobesia botrana) é um dos principais insetos-praga da vinha, sendo responsável por danos diretos nas inflorescências e nos bagos e por um aumento da suscetibilidade a podridões, nomeadamente por Botrytis cinerea.
Descrição da praga
Lobesia botrana é uma espécie multivoltina de grande importância económica nas regiões vitícolas europeias e mediterrânicas. Na vinha, os prejuízos resultam sobretudo da atividade larvar: a primeira geração ataca preferencialmente as estruturas florais, enquanto as gerações seguintes danificam os bagos em desenvolvimento e maturação. Os tecidos feridos tornam-se também mais suscetíveis ao aparecimento de podridões, especialmente em condições favoráveis.
Na Região Demarcada do Douro, a intensidade dos ataques pode variar significativamente entre anos, parcelas e condições climáticas, pelo que a monitorização regular e a correta interpretação da fenologia de voo são essenciais para apoiar a proteção integrada da cultura.
Ciclo biológico da Lobesia botrana
Em condições da Península Ibérica, Lobesia botrana apresenta geralmente três gerações anuais, podendo ocorrer uma quarta geração em anos e locais mais quentes. No Douro, os dados analisados no estudo de referência apontam, em média, para um primeiro voo em meados de março, um segundo em meados de junho, um terceiro no final de julho e o início de um quarto voo no começo de setembro.
Fases do ciclo
- Ovo: depositado sobre estruturas florais ou bagos, dependendo da geração;
- Larva: fase responsável pelos principais danos económicos;
- Pupa: fase intermédia entre gerações;
- Adulto: mariposa cuja atividade de voo é monitorizada com armadilhas sexuais.
Importância térmica
- O desenvolvimento da praga está fortemente dependente da temperatura;
- O modelo usado nesta página recorre a graus-dia acumulados;
- Para aplicação prática, considera-se a acumulação desde 1 de janeiro, com limiar inferior de 7,3 ºC e superior de 33 ºC.
Tempo de desenvolvimento
- A 25ºC o ciclo pode completar-se em cerca de 30 a 35 dias;
- Abaixo de 15ºC o desenvolvimento desacelera significativamente.
Gerações
- 1ª geração: ataque preferencial a botões florais e estruturas florais;
- 2ª geração: impacto elevado sobre bagos já formados;
- 3ª geração: maior risco de danos próximos da maturação e de podridão cinzenta;
- 4ª geração (eventual): incompleta e menos frequente.
Guia de monitorização da Lobesia botrana
A monitorização da traça-da-uva deve combinar observação de armadilhas sexuais, acompanhamento meteorológico e validação no campo. O objetivo não é apenas detetar a presença do inseto, mas enquadrar o momento fenológico de cada voo e reforçar a vigilância nos períodos mais sensíveis.
Materiais necessários
- Armadilhas sexuais adequadas à monitorização de adultos;
- Registo das observações por data e localização;
- Acesso a dados meteorológicos ou a uma estação de referência.
Como monitorizar
- Instalar armadilhas no início da campanha e mantê-las durante o período de risco;
- Efetuar leituras regulares e consistentes ao longo do tempo;
- Complementar a leitura das armadilhas com observação direta de cachos, flores e bagos.
Como interpretar
- Os resultados do modelo ajudam a enquadrar o estado fenológico do voo e a antecipar períodos em que a observação de campo deve ser reforçada.
Resumo técnico
Enquadramento do modelo
O modelo apresentado relaciona a acumulação de graus-dia com a percentagem acumulada de capturas de machos em armadilhas sexuais. No estudo de referência realizado para a Região Demarcada do Douro, verificou-se uma relação elevada entre estas duas variáveis nos principais voos da praga. Para utilização prática e à escala regional, a acumulação térmica a partir de 1 de janeiro revelou-se a opção mais adequada, por ser mais simples e mais robusta em contexto operacional.
Base térmica utilizada
A interpretação da evolução fenológica de Lobesia botrana assenta na acumulação de graus-dia com limiar inferior de 7,3 ºC e limiar superior de 33 ºC. Esta abordagem permite enquadrar de forma consistente os principais voos observados na região e apoiar a monitorização ao longo da campanha.
Marcos médios dos voos no Douro
Para a Região Demarcada do Douro, os valores médios observados indicam início do 1.º voo aos 282,8 GD e o respetivo pico aos 459,1 GD; início do 2.º voo aos 1034,9 GD e pico aos 1230,3 GD; início do 3.º voo aos 1798,7 GD e pico aos 2043,4 GD; e início do 4.º voo aos 2539,8 GD. Estes valores devem ser interpretados como referências médias de apoio à monitorização.
Utilização prática
- O gráfico mostra a evolução diária e acumulada dos graus-dia;
- As curvas Y1, Y2 e Y3 representam a progressão prevista das capturas acumuladas nos três principais voos;
- Os eventos destacados ajudam a assinalar momentos relevantes ao longo da campanha;
- A informação deve ser usada como apoio à observação de campo e ao reforço da vigilância, não como substituto da validação local.
Limitações de interpretação
Como em qualquer modelo fenológico, os resultados devem ser interpretados com prudência ao nível local. A eficiência da monitorização, a sobreposição de gerações, os tratamentos realizados, a variedade e as condições microclimáticas podem influenciar a dinâmica observada em cada vinha. :contentReference[oaicite:4]{index=4}
Galeria de imagens
Submeta as suas fotografias
Pode submeter fotografias de armadilhas, adultos ou sintomas observados no campo para apoio à validação.
Documentos de apoio
Esta página baseia-se em resultados desenvolvidos para a Região Demarcada do Douro e em dados de monitorização e temperatura usados para apoio à proteção integrada da vinha. A bibliografia principal encontra-se indicada abaixo.
Ferramentas de ajuda
A informação aqui apresentada deve ser interpretada como apoio técnico à monitorização da praga. Em caso de dúvida, recomenda-se a validação no campo e o enquadramento por técnicos de proteção integrada ou serviços de aconselhamento agrícola.
O modelo ajuda a identificar períodos em que a vigilância deve ser reforçada, mas não substitui a observação direta da vinha nem a avaliação local das condições da campanha.
Limiar térmico para início e pico dos voos
Para a interpretação pública do modelo, usam-se graus-dia acumulados desde 1 de janeiro, com limiar inferior de 7,3 ºC e superior de 33 ºC.
| Voo | Início do voo (GD acumulados) |
Pico do voo (50% das capturas) |
|---|---|---|
| 1.º voo | 282,8 | 459,1 |
| 2.º voo | 1034,9 | 1230,3 |
| 3.º voo | 1798,7 | 2043,4 |
| 4.º voo | 2539,8 | — |
Ocorrências
Nesta secção pode consultar localizações públicas de referência, visualizar a evolução térmica da campanha e acompanhar os principais eventos do modelo para Lobesia botrana. O gráfico combina valores diários, acumulado térmico e curvas fenológicas previstas, ajudando a enquadrar o estado do voo ao longo da estação.
A validação das contagens pode ser feita submetendo imagens das armadilhas, contendo exemplares aprisionados, enviando-as através do Formulário de submissão de fotografias
Localizações de referência em uso
A tabela seguinte apresenta as localizações públicas de referência atualmente disponíveis para consulta. Para cada uma delas pode visualizar o gráfico de evolução do modelo e, mediante autenticação, exportar os dados em CSV.
| Local | Data de cálculo | Último evento | Mensagem | Gráfico | CSV |
|---|
Últimas notificações
As notificações e avisos operacionais associados à traça-da-uva podem ser consultados na Página dos Avisos Agrícolas .
Referências bibliográficas
Cristina Carlos, Fátima Gonçalves, Irene Oliveira, Laura Torres, “Is a biofix necessary for predicting the flight phenology of Lobesia botrana in Douro Demarcated Region vineyards?”, Crop Protection, 110, 2018, 57–64.